terça-feira, 24 de abril de 2012

GAVETA DE PANDORA: O ESQUECIMENTO E SUAS ILUMINAÇÕES

Fátima desceu as escadas enquanto procurava as chaves no bolso. Há tempos não ia naquela parte da casa e logo que chegou a porta pode sentir o cheiro do tempo que passou. A porta rangeu ao abrir, como se reclamasse de ter ficado esquecida por tanto tempo e Fátima limpou as mãos empoeiradas batendo-as sobre as coxas. Dentro do quarto, a luz ainda era amarela e os móveis estavam cobertos por uma fina camada de antiguidade, fato que foi verificado no susto de Fátima ao ver uma pequena aranha passando para continuar a sua teia.

Fátima abriu as gavetas do criado-mudo. Guardara lá, em uma caixa de madeira, as fotos que trouxera da casa de sua mãe durante a mudança. Ela riu com saudades das tardes ensolaradas de domingo no quintal de sua avó e do bolo de mistura com cobertura de chocolate do seu aniversário de sete anos...Fátima perdeu-se no tempo em meio as gavetas que iam-se abrindo.

Quando já alcançava a última gaveta, foi da sala que chegou o tirintar do telefone, recordando de que já chegava a hora de retornar. A gaveta meio emperrada ficou entre aberta e, quando Fátima bateu a porta, iluminou-se de esquecimento e memória o quarto no fundo da casa.

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