quinta-feira, 10 de maio de 2012




Já as quatro da manhã o galo de Januário anunciava o principio do dia e as cinco e meia o sol já rasgava o céu, iluminando aquela extensão de terra  que se acumpridava para além das vistas...Januário acordou tateando os móveis  e esticando o corpo. Da janela, avistava a terra que ali estava entregue aos seus cuidados. Requentou o café preto do dia anterior, amoleceu o pão na saliva e calçou as botas...Atrás da porta, pegou o instrumento, espreguiçou-se, ainda tendo tempo de trocar um bom dia rápido com o galo que já se preparava para dar mais uma vez os avisos...Januário caminhou tão infinitamente quanto a terra e por algum motivo, naquele dia, o som da bota no chão, fez com que ele parasse e olhasse para baixo. Januánrio passou a mão na testa e pode ver, por entre os cílios, a gota de suor a escorrer e evaporar-se antes de chegar ao chão.  Parado, olhava aquela terra seca e rachada, aquela terra que em outra estação tinha sido palco de tanta vida... Alembrou-se do tempo de menino, mas menino mesmo, que mãe e pai chamava para o trabalho e a família inteira caminhava infinitamente até o meio da terra...mas desde que ouviu seu pai dizer que ganhou corpo,  foi mandado para aquela fazenda no meio do nada, de algum fazendeiro que por lá nunca aparecia...Januário agachou-se no chão e passou os dedos na terra, não havia barulho de nada em volta, estava só...ele, a terra e seu coração seco e rachado de tempo e saudade...só os olhos de Januário é que se molharam naquela manhã... 

Um comentário:

  1. A primeira coisa que seca é coração... esse texto é um pouco típico

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