Já as quatro da manhã o galo de Januário
anunciava o principio do dia e as cinco e meia o sol já rasgava o céu,
iluminando aquela extensão de terra que
se acumpridava para além das vistas...Januário acordou tateando os móveis e esticando o corpo. Da janela, avistava a
terra que ali estava entregue aos seus cuidados. Requentou o café preto do dia
anterior, amoleceu o pão na saliva e calçou as botas...Atrás da porta, pegou o
instrumento, espreguiçou-se, ainda tendo tempo de trocar um bom dia rápido com
o galo que já se preparava para dar mais uma vez os avisos...Januário caminhou
tão infinitamente quanto a terra e por algum motivo, naquele dia, o som da bota
no chão, fez com que ele parasse e olhasse para baixo. Januánrio passou a mão
na testa e pode ver, por entre os cílios, a gota de suor a escorrer e
evaporar-se antes de chegar ao chão.
Parado, olhava aquela terra seca e rachada, aquela terra que em outra
estação tinha sido palco de tanta vida... Alembrou-se do tempo de menino, mas
menino mesmo, que mãe e pai chamava para o trabalho e a família inteira
caminhava infinitamente até o meio da terra...mas desde que ouviu seu pai dizer
que ganhou corpo, foi mandado para
aquela fazenda no meio do nada, de algum fazendeiro que por lá nunca
aparecia...Januário agachou-se no chão e passou os dedos na terra, não havia
barulho de nada em volta, estava só...ele, a terra e seu coração seco e rachado
de tempo e saudade...só os olhos de Januário é que se molharam naquela manhã...
A primeira coisa que seca é coração... esse texto é um pouco típico
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