segunda-feira, 7 de maio de 2012

Um convite as emoções: Soledad e a solidão de encontrar-se

Tinha bem uns três dias que Soledad acordava com um choro contido depois de sonhar continuamente com uma porta entre-aberta da qual saía um fio de luz amarelada iluminando um grande salão de chão de madeira e paredes descascadas pelo tempo...Quando acordada, em meio ao susto, lembrava-se da frase da sua infância "Soledad, engula o choro" e de forma obediente continha-se ainda na cama, respirava fundo e só então dava inicio a sua rotina...Os sonhos permaneceram por mais de uma semana, sempre aquela porta entre aberta, aquele filete de luz oferecendo-se como um ópio ao seu corpo e quando acordada a lembrança...Quantos choros Soledad deveria ter engolido ao longo da vida? que convite fazia aquele filete de luz irresistivelmente amarelado e aquele duplo sentimento de curiosidade e horror que fazia Soledad correr quase em desespero? Foi em uma madrugada, entre as folhas secas do quintal que Soledad se fez essas perguntas e depois, esgotada, dormiu alí mesmo...no sonho, entrava no salão de chão de madeira, iluminado por um filete de luz amarela saído de uma porta entre aberta...Soledad caminhou como uma criança que acaba de aprender a andar, meio tropega e ofegante...respirou e pôs levemente os dedos e somente depois a mão na fechadura empreendendo toda a sua força para abrir aquela porta...preenchido o salão pela luz amarela, Soledad sentou-se cansada e feliz e regurgitou o choro de uma vida inteira...

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