quarta-feira, 13 de junho de 2012


Antonia acordou no sábado pela manhã, com um filete solar que invadia o quarto atrapalhando o sono. Com os olhos ainda entreabertos, Antonia pode avistar, por entre as grades da janela, um azul límpido que se encompridava para além do recorte. Antonia despertou! tomou café, tirou do fundo da gaveta um biquíni e acelerou-se para a praia. Sentada na cadeira, de frente para o mar, Antonia avistou aproximando-se dela uma mulher alta, de cabelos negros e longos, coberta por um cumprido vestido de babados. A cigana parou em sua frente e solicitou a Antonia que estendesse as mãos para que ela pudesse ler. Carinhosamente, Antonia cedeu as mãos a cigana que falou durante muito tempo, tricotando os rabiscos entrecruzados que iam aparecendo nas mãos de Antonia...Quando foi embora,  ainda antes de perde-la de vista, Antonia deitou-se na areia, com os pés a beira do mar, sentindo o sol aquecer-lhe a pele...Ficou pensando em todo aquele falatório da cigana, admirou as próprias mãos por terem tantas possibilidades...Sentiu que poderia experimentar cada uma delas... em suas mãos, o mundo rasgando-se todos os dias e oferecendo-se a ser vivido...Antonia sorriu, como uma criança que descobre onde chegam as formigas depois de tanta caminhada...Em seguida, melou-se na areia e correu pro mar, como quem começa, novamente, a  descobrir o prazer de redesenhar linhas...

Um comentário:

  1. "A cigana leu o meu destino
    Eu sonhei
    Bola de cristal, jogo de búzios, cartomante
    Eu sempre perguntei
    O que será o amanhã?
    Como vai ser o meu destino
    Já desfolhei o mal-me-quer..."

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