Antonia
acordou no sábado pela manhã, com um filete solar que invadia o quarto
atrapalhando o sono. Com os olhos ainda entreabertos, Antonia pode avistar, por
entre as grades da janela, um azul límpido que se encompridava para além do
recorte. Antonia despertou! tomou café, tirou do fundo da gaveta um biquíni e
acelerou-se para a praia. Sentada na cadeira, de frente para o mar, Antonia
avistou aproximando-se dela uma mulher alta, de cabelos negros e longos,
coberta por um cumprido vestido de babados. A cigana parou em sua frente e
solicitou a Antonia que estendesse as mãos para que ela pudesse ler. Carinhosamente,
Antonia cedeu as mãos a cigana que falou durante muito tempo, tricotando os
rabiscos entrecruzados que iam aparecendo nas mãos de Antonia...Quando foi
embora, ainda antes de perde-la de
vista, Antonia deitou-se na areia, com os pés a beira do mar, sentindo o sol
aquecer-lhe a pele...Ficou pensando em todo aquele falatório da cigana, admirou
as próprias mãos por terem tantas possibilidades...Sentiu que poderia experimentar
cada uma delas... em suas mãos, o mundo rasgando-se todos os dias e
oferecendo-se a ser vivido...Antonia sorriu, como uma criança que descobre onde
chegam as formigas depois de tanta caminhada...Em seguida, melou-se na areia e
correu pro mar, como quem começa, novamente, a descobrir o prazer de redesenhar linhas...
"A cigana leu o meu destino
ResponderExcluirEu sonhei
Bola de cristal, jogo de búzios, cartomante
Eu sempre perguntei
O que será o amanhã?
Como vai ser o meu destino
Já desfolhei o mal-me-quer..."